Redações do Shuu #11: Nós Somos as Cores na Escuridão


 Será que é para isso que estamos neste mundo? Para sermos odiados? Será que é pedir demais um pouco de empatia? Aonde as ondas deste mar irá nos levar? O que estes rastros de sangue dizem sobre nós? O que podemos fazer para mudar as pessoas? Se é que isso é possível...
 Há anos lutamos dia após dia para nos encaixarmos neste mundo, para que um dia as pessoas nos aceitam do jeito que somos, mas é como eu sempre digo: "Não somos solicitação de amizade do Facebook para sermos aceitos.", e mesmo assim somos atacados de todas as formas possíveis. O que fazer quanto a isso? Continuar, não podemos parar décadas e décadas, séculos e séculos de luta por causa desse ódio alheio. São anos de dor e resistência, anos buscando uma forma de melhorar o mundo sem perceber que o mundo não precisa ser melhorado e sim as pessoas.
 Eu sofri muito por ser gay, por ser gordo, por ser bruxo, por ser diferente, mas mesmo assim eu estou aqui, de pé. Encontrei pessoas que se tornaram muito especiais para mim, que me apoiaram independente de quem eu era e o que eu era, em especial a minha mãe.. Senti medo por muito tempo, um receio horrível de mostrar quem eu era, mas hoje é diferente.
 Nunca mais eu vi como opção abaixar a cabeça e deixar essa fumaça me sufocar. Eu evolui de uma forma que nunca pensei que seria possível. Eu atravessei um inferno criado por mim mesmo, e fico feliz em dizer que ele não existe mais.
 Que ironia dizer que o Brasil é o país em que mais ocorre mortes de transexuais no mundo todo, sendo que a maioria da audiência de filmes pornôs com travestis e transexuais é de heterossexuais, mas é a realidade.
 Como foi dito no Relatório de Violência Homofóbica no Brasil, criado em 2011:
"A luta e mobilização da população LGBT garantiu importantes avanços para a cidadania e fortalecimentos dos direitos nos últimos anos, como criação do Conselho Nacional de Combate a Discriminação – CNCD/LGBT, a aprovação de inúmeras leis estaduais e municipais estabelecendo multas e sanções as situações de discriminação, e o reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da união estável entre pessoas do mesmo sexo. Entretanto, ainda temos também muitos desafios a enfrentar até a garantia da cidadania plena para todas e todos."
  Ainda no intuito de trazer justiça à causa, é disponibilizado na página 17 do relatório uma análise utilizável em casos de ocorrências de LGBTfobia:

I- Grupo de violação/módulo; UF; município; bairro; data; tipo/subtipo de violação; frequência; local da ocorrência;
II- Relação vítima/demandante; relação vítima/suspeito;
III- Perfil da vítima: Sexo; identidade de gênero; orientação sexual ; raça/cor; idade vítima; estado civil; escolaridade; deficiência; situação de rua;
IV- Perfil do suspeito: Sexo; identidade de gênero; orientação sexual ; raça/cor; idade vítima; estado civil; escolaridade; deficiência; situação de rua;

 Esta metodologia, de acordo com o relatório, é utilizado desde 1980 pelos movimentos sociais LGBT.
 O gráfico que irei mostrar a seguir faz parte do relatório (na página 22), onde é mostrado a relação entre vítima e o denunciante da agressão:


 Ainda há muito o que lutar. Essa redação não é apenas um desabafo ou uma homenagem a todo o clã (comunidade LGBT), mas também uma forma de mostrar de forma REAL o que está acontecendo no país.
 Ainda no relatório, foi apreciada a frase:
"Ainda temos também muitos desafios a enfrentar até a garantia da cidadania plena para todas e todos."


NÓS SOMOS AS CORES NA ESCURIDÃO

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